O que são os f-stops em fotografia?

(este artigo foi originalmente escrito para um grupo de fotografia Ilustrar Portugal no flickr e aproveitei para o trazer aqui também uma vez que de vez em quando surgem dúvidas e esta é a minha forma de tentar ajudar a explicar o que são os f-stops em fotografia e como funcionam. Se por acaso detectarem alguma incorrecção ou quiserem contribuir com alguma página sobre técnica de fotografia, entrem em contacto comigo ou deixem um comentário no fim da página.)

Vou tentar explicar os f/s.. de uma forma geral. Vamos imaginar uma lente de 50mm f1.4 (uma lente clássica), uma vez que a extrapolação para os zooms é imediata. Isto indica a distância focal e a abertura máxima da lente. O que quer dizer uma e outra?

Distância Focal

Começando pelos 50mm – Imaginemos uma lente perfeita com apenas uma óptica e o plano do filme. A distância focal indicaria a distância entre o plano do filme e o plano desse elemento óptico e representaria a distância em que a luz convergiria no mesmo ponto do filme.

Para além do mais notem que independentemente do formato utilizado, uma lente de 50mm vai produzir no plano do filme/sensor uma imagem (invertida) com as mesmas dimensões, quer se trate de digital, 35mm 6×6 ou grande formato. Como em cada um dos casos o tamanho total do filme é diferente isto faz com que uma lente de 50mm seja normal em 35mm, grande angular em 6×6 e … bem… super grande grande angular em 8×10 (nem sei se há).

Mas nos 3 casos uma lente de 50mm produzirá no plano do filme objectos com as mesmas dimensões. Exemplo: Se estivermos a fotografar uma árvore que esteja a 10m de distância, a lente de 50mm reproduz a árvore no filme com 1mm de altura (por exemplo). Isto quer dizer que em qualquer formato, aquela árvore, àquelas distância, com uma lente de 50mm vai ocupar 1mm no negativo/sensor/filme.

Os fs…

Os f são uma forma conveniente de relacionar a abertura do diafragma com a distância focal por forma a comparar diversas lentes. Porquê? Porque senão seriam impossível… Vamos imaginar a nossa 50mm f1.8 e vamos imaginar que o nosso diafragma é uma circunferência perfeita (na realidade é composto por lâminas, mas para o caso não interessa nada). Ora em vez de para cada fotografia dizermos que utilizamos uma velocidade de 1/250s e um diafragma com um diâmetro de 40mm (o que não nos diz nada sobre a distância focal), optou-se por definir a escala de f-stops de forma a incluir também informação sobre a distância focal. Assim definiu-se que:

f=distância focal / diâmetro do diafragma

Assim ao dizer que fizemos uma foto com um obturador de 1/250s e um f=2.0 sabemos alguma informação sobre a distância focal e diafragma (sabemos que a proporção entre distância focal e diâmetro do diafragma é 2.0). Isto é útil pois permite manter a mesma escala entre lentes.

E os f-stops?

A escala de f-stops é uma simplificação que facilita o trabalho do fotógrafo. foi construída de forma a que cada f-stop (cada paragem no anel de uma lente) corresponda a uma situação em que o diafragma deixe entrar o dobro (ou metade) da luz do f-stop anterior.

A escala normal é:

f1 – f1.4 – f2.0 – f2.8 – f4 – f5.6 – f8 – f11 – f16 – f22 – f32

A cada salto a quantidade de luz que passa no diafragma é reduzida para metade do anterior. Como? vamos imaginar o diafragma como um circulo perfeito.

Para a nossa lente de 50mm e para f2.0 e f4 vamos calcular a área desse círculo.

f2.0 -> diâmetro (50/2.0)= 25mm -> Área (PI*D^2/4) = 490mm2
f4 -> diâmetro (50/4)= 12.5mm -> Área (PI*D^2/4) = 122.7mm2

a área do diafragmas de f4 é 4x mais pequena que a área de f2.0 tal como seria de esperar porque demos dois saltos de f2.0 para f4.

A construção desta escala baseia-se em aproximações à progressão geométrica das potências da raiz de 2 sendo que nos casos não inteiros foi necessário fazer arredondamentos.

É por causa desta lógica “invertida” que quando se fala de aberturas maiores (diafragma) se está a falar de fs mais pequenos.

Ora o que acontece com um teleconversor?

Imaginemos que na nossa lente de 50mm utilizamos um teleconversor de 1.7X – isto quer dizer que vamos passar a ter uma lente com uma distância focal de 85mm (50×1.7). E o que acontece às aberturas? O teleconversor não afecta naturalmente o tamanho da abertura do diafragma pelo que este se manterá.

No caso de f2.0 a 50mm tinhamos um diâmetro de 25mm. Agora que estamos com 85mm de distância focal o diâmetro continua 25mm pelo que o novo f é 85/25 = 3.4 o que na prática é multiplicar o 2.0×1.7.

Conclusão

O aumento da distância focal através de um teleconversor implica no mínimo a diminuição do f mínimo (abertura máxima) de trabalho o que vai obrigar a velocidades mais baixas… e consequentemente a procurar medidas para compensar isto, seja através do aumento da sensibilidade do filme/sensor (aumento do ISO) ou através da utilização de um tripé.

Para além disto há a questão da qualidade óptica, uma vez que um teleconversor não é a mesma coisa que uma lente e o resultado obtido por exemplo no caso combinado anterior (50×1.7=85mm) será sempre inferior a uma lente 85mm f3.4 nativa (e por falar em 85, há a f1.8 e a f1.4 da Nikon que são FANTÁSTICAS).

Em todo o caso o teleconversor é quase sempre a alternativa mais barata uma vez que primes de qualidade são sempre caras (por isso é que eu compro tudo em segunda mão e de preferência com mais de 20 anos… qualidade irrepreensível a preços de gente normal).

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