Música: Universal e Sony no salto em frente

A editora de música Universal rompeu os contractos que tinha com a Apple para a distribuição de música na iTunes Music Store e prepara-se para criar um serviço concorrente. Até aqui nada de mal e toda a concorrência é salutar por forma a evitar o comportamento monopolista da Apple. O que eu estranho é que estas multi-nacionais super poderosas continuem a a não perceber qual é o problemas das suas lojas.


Fala-se muito da criação de um serviço alternativo ao da Apple, mas a verdade é que o sucesso do iTunes Music Store não se deve à iTunes Music Store em si, mas ao iPod. Porquê? Porque mesmo não sendo um cliente da IMS, o facto de se utilizar um iPod faz com que se utilize o iTunes para o sincronizar com o computador. Ora o primeiro passo para ir à iTunes Music Store é ter o iTunes aberto. O segundo é por exemplo podcasts. Quem ouve sabe que os pode encontrar no iTunes, mais nomeadamente na iTunes Music Store.

Ou seja… a Apple desenvolveu uma série de produtos que obrigam o utilizador a passar pela iTunes Music Store para lhes aceder, mesmo que não compre nada. Um dia o utilizador vai decidir experimentar e compra a sua primeira música, e depois a segunda e a facilidade com que o processo decorre vai torná-lo num cliente fiel. Mas isto só acontece porque antes houve um processo de fidelização à loja através dos iPods, dos podcasts e de tudo o resto que a rodeia.

Assim, penso que qualquer tentativa de sucesso de criação de um serviço semelhante por parte da Universal vai estar literalmente condenado ao fracasso por não ter o envolvimento especial dos hardwares. Porque motivo os Zune, iRiver ou Creative irão obrigar o cliente a utilizar uma loja da Universal para fazer as coisas do seu dia a dia? Podem ter acordos de utilização de lojas para as compras do cliente, mas não os obrigarão a percorrer a loja para fazer uma sincronização.

Aqui é que a entra a nova ideia da Universal. Transferir o custo de uma subscrição mensal de música na ordem dos 5 Euros para o fabricante do hardware. O objectivo das produtoras de música? O hardware seria vendido mais caro, mas o custo da música que as pessoas iriam descarregar no futuro seria reduzido ou gratuito até. O problema é que isto seria criar uma espécie de “taxa” de música num aparelho que poderia nunca vir a ser utilizado para reproduzir música da tal loja.

Para além disso quem é que seria o fabricante que iria aumentar o preço de venda do seu player de mp3 em 120$(Uns dois anos de subscrição) havendo concorrentes que o não fariam? A Universal diz que esse acréscimo de preço compensaria através do maior número de unidades vendidas, mas a verdade é que a existência de loja onde comprar nunca foi critério para escolher o player de mp3. Ainda para mais havendo a possibilidade de comprar mais barato e à la carte. O que impediria alguém de comprar um aparelho mais barato e depois comprar só o que lhe apetecesse no iTunes? Ou na Amazon.

A Universal rompeu o contracto que tinha com a loja da Apple para se lançar no mercado da venda de música de forma independente. Para já fala-se que está em negociações com a Sony (outra companhia que parece gerida pela divisão de DRM e não pela divisão de equipamentos) e naturalmente o lançamento de uma nova loja pode ser benéfica para o mercado se as duas perceberem que o mercado da música já não é o mesmo de há 30 anos. O problema é que a postura destas duas empresas é exactamente a contrária. Elas romperam não para modificar o mercado de música, mas antes para tentar preservar o pouco que ainda tem desses tempos.

Uma resposta

  1. Já assinei o RSS.
    Muito bom, gostei do blog! Parabéns

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