Acessibilidade em tribunal e na Web

Acessibilidade em Tribunal e na WebNo advento da chamada Web 2.0, muitos sites ficaram mais “leves”, mais “arredondados” e menos “acessíveis”. Isto porque o conceito fundamental por detrás da acessibilidade não foi implementado. A degradação graciosa dos sites, quando todos os requisitos para os quais foram desenhados não estão cumpridos, normalmente não acontece e verificamos que utilizadores são bloqueados e não lhes é permitido o acesso aos mesmos.

Mas não se pense que este problema é típico da web 2.0. Há muitos sites que ainda no tempo do “site em flash é que bom” também apresentam problemas do género, ou então os do “isto funciona apenas em Internet Explorer”

Um dos casos problemáticos é o dos Monumentos Nacionais (DGEMN) que parece apenas funcionar em IE. Contudo tem a lata de apresentar na página de rosto o logotipo da acessibilidade. Há algum tempo enviei um email aos responsáveis do site da DGEMN a questionar porque é que o site não podia ser visualizado por quem estivesse em Mac ou Linux e a resposta foi:

Fizemos um estudo e o IE representa 85%, por isso não temos que mudar nada.

Os senhores dos monumentos não perceberam foi que não tinham que fazer um site para a maioria, mas que o podiam fazer para 100% da população, independentemente de serem Azuis, Verdes, ou Amarelos. Mas é mais fácil meter a cabeça debaixo da areia como a avestruz. A reclamação foi há mais de um ano. Até agora não mexeram uma palha.

Ora esta introdução serve para dizer que talvez, com um pouco de sorte o panorama das coisas mude. A Califórnia tem em tribunal um caso que opõe a Associação Nacional de Cegos contra a Target, sendo que que a Target é acusada de não disponibilizar nenhum sistema básico de navegação para pessoas com problemas visuais, nomeadamente o preenchimento das tags ALT ou teclas de atalho para navegação no site entre outros.

O caso pode abrir um precedente histórico que talvez obrigue a questão da acessibilidade a ser aplicada em vez de apenas discutida, ou, como no caso dos monumentos, falsamente apregoada. Por cá, talvez seja a altura de algumas associações começarem a ir para tribunal a ver se se consegue finalmente que organismos oficiais do estado sejam os primeiros a cumprir aquilo que apregoam.

A acessibilidade não é só um problema da Web 2.0. Aliás, a acessibilidade não é um problema da Web. É um problema das pessoas que a fazem. A ignorância e a arrogância excluem pessoas. Infelizmente são duas coisas que existem em abundância.

Uma resposta

  1. Parabéns pelo artigo. Também eu estou farto da “regra dos 85%”, a da ditadura criada pela maioria. Para quando a ilegalização dos sites IE only, das flashadas sem versões em texto, dos sites sem preocupações para os internautas com deficiências? Embora ache que a Internet, como rede anarca que é, nunca irá permitir essa ilegalização, creio também que serão os utilizadores (como agentes do mercado) a impôr essas obrigações. Mas ainda nos falta algum tempo para ter utilizadores tão bem formados… Infelizmente…

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