Sobre os OpenMac e o regresso dos Clones

Nos últimos dias tem surgido incessantemente notícias sobre ume empresa que pretende vender computadores pessoais com a pré-instalação do sistema operativo da Apple ( o Leopard ) se assim o cliente o desejar. Isto com a vantagem aparente de se poder comprar uma dessas máquinas por 400$.

Independentemente de legitimidade / legalidade e do facto de provavelmente a tal empresa ser apenas um hoax, convém pensar um pouco sobre o porquê de ainda haver esta discussão.

Embora se pense que não, os clones na apple sempre existiram. Houve o período não oficial em que os clones foram construídos através de engenharia reversa às Roms ou então através da utilização de Roms e boards de Macs já existentes (o que os tornava caros) e o período em que a Apple licenciava os designs de Hardware.

Entre 94 e 97 surgirem máquinas licenciadas pela apple que competiam em performance com os Macs e custavam muito menos. Claro que o look & feel era mais próximo de um PC normal do que propriamente dum Apple, mas isso não constituía um problema.

Em 97 com o regresso do Steve Jobs à Apple o System 7.7 que deveria sair foi renomeado para System 8 deixando os fabricantes de hardware com licenças de produção de clones apenas para a família 7.x. Desta forma Steve Jobs pode colocar o System 8 com condições de licenciamento desinteressantes para os fabricantes e finalmente a Apple voltou a ter o exclusivo da produção de Macs

Recentemente com a mudança de plataforma do Power PC da IBM para os X86 da Intel voltamos a ver surgir um ressurgimento do interesse por clones da Apple. Primeiro, porque o hardware dos Macs é muito semelhante ao Hardware utilizado por fabricantes de PCs, segundo porque depois dos inúmeros tiros nos pés que o Windows Vista deu há cada vez mais pessoas interessadas em procurar alternativas, sem terem que se desfazer das suas máquinas actuais.

Mas não se pense que os clones actuais surgiram apenas na plataforma x86 da intel. Há também quem tenha decidido continuar a apostar na plataforma Power PC e há clones com o mais potente Power PC G6 algures para o extremo oriente.

Enfim, depois de um pouco de história vamos pensar alto: Actualmente quem tiver um PC intel arrisca-se a ter uma máquina que pode facilmente ser convertida num Clone Apple. Claro que um projecto destes exige verificar se o hardware é compatível, mas há boas possibilidades. E como nunca foi tão fácil criar clones dos macs há empresas que se propõe fazê-lo por si. Contudo isto invalida a EULA (End User License Agreement) que diz especificamente que não é permitido instalar o OS X em hardware não Apple.

Por um lado não sei até que ponto é que este tipo de EULA é aplicável em toda a parte, uma vez que a legislação europeia é muito mais cerrada no que diz respeito a este tipo de autorizações, podendo por este ou outro aspecto da EULA fazê-la estar ferida de legalidade. Mas como ainda ninguém levou isto a tribunal… não sei.

Por outro lado qual é o problema da Apple em fazer isto? Bastaria dizer que não daria qualquer tipo de suporte a OS X que não estivessem instalados em máquinas Apple. Tem um Apple? Tem “Toda” a experiência Apple. Não tem? arranje-se sozinho.

Claro que isto não interessa à Apple porque as coisas não são assim tão lineares. A existência de clones, mesmo que a apple não os suportasse iria provocar problemas e o número de pessoas insatisfeitas com a promessa da experiência Apple ia aumentar gerando uma imagem negativa que apple não deseja.

Por outro lado isto faz-nos pensar no futuro dos computadores? Para onde vão os sistemas operativos? Quem é afinal dono do computador que comprou? Você? Ou a empresa que lho vendeu? É que estas licenças de utilização são como comprar um carro e depois dizerem-lhe que só podia conduzir o seu carro em auto-estradas concessionadas a uma dada empresa e nessa mesma auto-estrada não seriam permitidos carros de outras marcas.

Estaremos na informática ainda no início da era automóvel em que todos os Fords podiam ser da cor escolhida pelo cliente desde que fosse preto?

Será o futuro da computação mais ou menos democrática? Poderá finalmente o utilizador ser verdadeiramente “dono” do que compra ou vamos assistir ao trajecto contrário em que o utilizador deixa de ser dono do que compra e passa a cada vez mais a “alugar” um serviço? E se assim for está disposto a isso?

O caso do OpenMac que prometia computadores a 400$ é mais uma farpa que rapidamente vai ser retirada do caminho das grande empresas, mas é também a prova de que há pessoas a querer outras coisa que não as que as grandes empresas querem vender. Veremos no futuro se este tipo de movimento cresce ou definha.

Eu cá gosto de carros coloridos!

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