Dinheiro Vrrrumm Vrrrumm

Foto de paulwoolrich

Alguém podia dizer ao senhor secretário de estado que há limites para o que é razoável. Compete ao instituto do desporto distribuir as verbas pelas modalidades e apoiar as federações dos diversos eventos que organizam.

E todos sabemos que há modalidades mais caras que outras. Uma piscina é mais cara que um par de sapatilhas!

Mas agora eu gostava era de perceber quanto é que um atleta olímpico (sim, um daqueles que vai à China) vai receber de apoio? Já nem falo do milhares de desportistas que nunca verão um tusto, porque por infelicidade da natureza não são tão bons para vencer e dar nas vistas.

Esperem aí, o Tiago Monteiro não ganhou nada… aliás o senhor secretário de estado diz que o subsidio foi pago para não ser despedido! Ora meus senhores, então um gajo que está quase a ser despedido da modalidade que pratica e recebe um subsidio de 2 milhões de euros? 300 mil contos?

Andam a gozar com os cidadãos e com os atletas das restantes modalidades, e ainda por cima fazem-no achando tudo “perfeitamente normal”, reagindo ainda indignados à questão, como se quem pergunta fosse algum otário que não vê que 300 mil contos são coisa pouca. “São só um nome num espelhinho retrovisor”!

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3 Respostas

  1. É surpreendente a demagogia que uma notícia publicada por um jornal – que uma vez mais procura deliberadamente enviesar a opinião de quem a lê – conseguiu gerar!

    Em primeiro lugar, parece-me que, por muito que nos custe (atendendo à actual conjuntura económica do país) se foi assumido um compromisso pelo governo português (independentemente da sua cor política) ele tenha que ser honrado. O governo que antecedeu o actual, entendeu que a participação de um piloto português na Fórmula 1 seria um desígnio nacional, assim sendo, haveria que assumir essa responsabilidade até ao fim!

    É de uma tamanha insensatez – nalguns casos acompanhada de ignorância – questionar os apoios dados à criação de grandes eventos (EXPO 98, Euro 2004, Lisboa-Dakar , America’s Cup , se tivesse chegado cá…). A geração de riqueza – para além do prestígio imediato – que daí advém permitem criar uma dinâmica da economia que dificilmente se obtém de outra forma. O investimento é, até certo ponto, elevado mas o retorno supera os custos e esse sim cria empregos, traz dinheiro estrangeiro e promove o crescimento.

    Concordo que se fosse hoje – e sabendo o que se passou – este ou outro governo não teria atribuído esse financiamento , ainda assim, estou certo que se ele tivesse sido atribuído via uma qualquer empresa maioritariamente estatal (CGD ou Santa Casa da Misericórdia, por exemplo) seguramente não teria sido questionado desta forma.

    Finalmente, é sempre fácil fazer demagogia com a questão dos dinheiro que é atribuído para esta ou aquela actividade. Só quem não sabe como é elaborado um orçamento (de uma pequena empresa ou o OGE ) é que pode pensar que aquele dinheiro iria para ajudar pessoas com dificuldades ou para construir escolas e hospitais. As verbas atribuídas a cada rúbrica de um orçamento estão globalmente definidas depois a sua distribuição dentro de cada uma delas é que poderá ser ajustada.

  2. Olha, apetece-me dizer que este tipo de post é tipico de quem não sabe do que está a falar. Mas eu vim aqui para eesclarecer e não para mandar bitaites.

    Portanto:

    Primeiro que tudo: o Tiago pagou doze milhões para entrar na Formula 1, do qual os dois milhões foram uma parte. Durante esse tempo todo, ele andou com um logotipo do Turismo de Portugal no seu macacão e na carenagem do carro, e nese tempo, conseguiu sete pontos no campeonato e prestigiou o nome do nosso país lá fora. Foi um contrato absolutamente legal, não houve pagamentos por debaixo da mesa.

    Segundo: o subsidio foi dado em 2005, antes até deste governo ter começado a fechar maternidades onde nasciam menos de um bebé por dia e escolas com menos de cinco alunos. E não sou, não votei, nem gosto do PS, atenção!

    Terceiro: Tiago Monteiro saiu da Formula 1 no final de 2006, altura em que o contrato acabou. Desde então não anda com nada disso.

    Os dois milhões não foram um desperdício. Foram uma pechincha, pois houve 500 milhões de pessoas que viram o nosso nome em todo o mundo, e se calhar muitos vieram visitar o nosso país à custa disso.

    Desperdício, meu amigo, são os dez estádios que tivemos “de século XXI” que andamos a construir para termos um evento que durou quatro semanas, que nos custaram 600 milhões de Euros, e que agora estão vazios e a custar-nos dezenas de milhões de Euros por ano.

    Espero que te tenha esclarecido as coisas, meu caro.

  3. Caro Speeder,

    Primeiro que tudo obrigado por ter comentado. Li o seu comentário e não pude deixar de lhe dizer o seguinte:

    O amigo speeder gosta de números… e certamente não vai negar que a participação portuguesa nuns jogos olímpicos é um acto importante de promoção do país através do desporto.

    Por isso se for ler a clausula 4a do contrato n.º 872/2005 – contrato-programa de desenvolvimento desportivo n.º 48/2005 – execução do Programa de Preparação Olímpica para o Jogos Olímpicos de Pequim 2008 vai verificar que ao longo de 4 anos (2005, 2006, 2007 e 2008) o estado através do IDP decidiu apoiar em 14 000 000 € (14 milhões) divididos em vários sub-projectos. Mas vamos pensar até que este dinheiro ia apenas para preparar os atletas que efectivamente conseguem os mínimos. Neste momento estão apurados 57 atletas para ir a Pequim, portanto fazendo umas contas simples e considerando que o dinheiro gasto o foi apenas com estes atletas (esquecendo o projecto Londres 2012 ou os atletas que não conseguiram os mínimos) o IDP apoiou durante estes 4 anos cada um dos atletas com cerca de 5116 euros por mês (14000000€ / 48 meses/ 57 atletas), valor que como já vimos é exagerado porque só estamos a contabilizar aqueles que conseguiram ir aos jogos.

    Já no caso do Tiago Monteiro fazemos as contas e 2000000€ / 24meses / 1 atleta = 83 333 Euros por mês. E no caso do Tiago Monteiro não estamos a falar de 1 atleta ou mais. Foi mesmo apenas 1. Ou seja, o estado apoiou 1 atleta, em cerca de 16 mil contos por mês durante 2 anos enquanto os atletas olímpicos receberam apoios 16 vezes mais pequenos. Aqui ninguém está a falar de hospitais que fecham (assunto aliás trazido para aqui pelo amigo speeder). Estamos a falar de injustiça dentro do mundo do desporto nacional e da forma como o secretário de estado do desporto acha perfeitamente legitimo gastar dinheiro com estas assimetrias.

    O amigo Speeder é um adepto da F1 pelo que percebi e naturalmente está a defender com unhas e dentes o desporto de que gosta, mas não venha para aqui atirar areia com números e factos, tentando fazer passar a ideia que o meu artigo tem um tom que efectivamente não tem. O artigo mostra a revolta contra esta falta de tacto para com o desporto nacional, atirando alguns para um canto enquanto se financia outros com 83 000 euros por mês. Ninguém, no seu perfeito juízo pode defender esta assimetria.

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