Reciprocidade Já

Foto de PQz

Os americanos estão em momento de viragem, mas antevendo que os republicanos possam perder as próximas eleições, a presidência prepara já “minas” para um eventual presidente democrata. A mais recente tem a ver com a política de imigração. Para além de até agora para viajar para os EUA ser preciso ter um passaporte electrónico (o antigo não dá) a partir de agora vai ser preciso pedir uma autorização de entrada no país pela internet até 3 dias antes da viagem. Claro que na corrida à presidência qualquer tentativa de tocar neste assunto vai fazer com o que os republicanos caiam em cima dos eleitores com o fantasma do terrorismo.

O pior é que a medida abrange 30 países que até agora não precisavam de visto para entrar, incluindo 15 da união europeia. Ou seja mais de metade dos estados europeus, incluindo Portugal tem agora que pedir autorizações para entrar nos EUA.

Por outro lado os americanos continuam a entrar na Europa como bem lhes apetece, como se a Europa fosse um parque de diversões onde vem passar o fim de semana, e nós europeus aceitamos isto tudo com a maior das tranquilidades. Como se aquilo que fazem aos nossos cidadãos não fosse nada connosco. Por isso é que cada vez mais acho que é necessário que seja criada uma lei de reciprocidade, como a existente na constituição brasileira que diga em traços simples:

“Os cidadãos estrangeiros serão tratados em Portugal da mesma forma que os nossos cidadãos são recebidos nos respectivos países.”

Este princípio simples a ser aplicado pelos frouxos políticos desta velha Europa evitaria as constantes humilhações a que o governo americano vota o cidadão europeu.

Defendo assim que Portugal, se a Europa não o fizer, arranje um mecanismo de reciprocidade para evitar este tipo de situações: Reciprocidade já!

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Gráfico de Gallup

Sondagens valem o que valem, mas as últimas sondagens mostram que o senador Barack Obama está cada vez mais na frente da corrida para a candidatura democrata. Isto apesar da Hillary Clinton ter reiterado que vai manter-se na corrida até à convenção democrata. A questão que me apetece fazer aqui é: Que é que ela sabe que nós não sabemos? Será que continua a ter o apoio dos superdelegates? Ou será que pode tirar ainda um coelho da cartola como Obama tirou quando fez o discurso sobre a segregação racial nos Estados Unidos?

O grande problema destas eleições é que o assunto fundamental não é a economia, a guerra no iraque ou a crise imobiliária. O grande problema destas eleições é a cisão racial que pode acontecer com a candidatura democrata. Olhando para os resultados conhecidos, verifica-se que os eleitores negros estão do lado de Obama enquanto os hispânicos e brancos estão do lado de Clinton. Inclusive as posições são tão extremadas que os apoiantes de Obama falam em votar McCain caso Clinton ganhe a nomeação. Isto pode ser um barril de pólvora à espera que alguém faça uma faísca.

A meu ver, quanto mais tempo o partido democrata demorar a definir o seu candidato mais potencialmente a cisão racial será visível. Poderá a cisão ser evitada se Clinton desistir proximamente? Penso que não. As eleições americanas de Novembro vão ficar invariavelmente marcadas pela realidade que a América não mais é um país a uma raça. A corrida política vai ajudar a abrir as feridas que o tempo da segregação deixou. A parte boa disso é que o ter que lidar com o problema pode também funcionar como catarse o que será sempre positivo.

Hillary Clinton não deverá anunciar nos próximos dias a desistência, muito provavelmente por uma questão de coerência política com o que tem dito, mas a verdade é que as sondagens já não lhe dão muita margem de manobra e a menos que seja capaz de um volte face de última hora não penso que tenha alternativa, pelo menos mais perto do congresso, a atirar a toalha para o tapete.

Eleições americanas

Foto de kagey_b

Já falei aqui das eleições americanas e apesar de serem mais ou menos como as nossas cá pela chafarica, tem uma coisa interessante: Tudo é proporcionalmente maior. Os gastos, os discursos, os debates, os comentários e os comentadores… Tudo se processa numa escala incompreensível para quem vê a política portuguesa pelo canudo dos mesmos de sempre, chatos, chatérrimos aliás… comentadores (já uma vez apelidados de “paineleiros”) nacionais.

Uma das questões que se coloca agora na campanha para as primárias e depois de 10 vitórias consecutivas de Obama é porque a Hillary ainda não atirou a toalha ao tapete para não prejudicar o partido. Eugene Robinson coloca a pergunta melhor que eu no artigo que escreveu para o Truthdig, pelo que aconselho a passar por lá.

Efectivamente concordo com o ponto de vista do autor do artigo, mas penso ainda que a não desistência da Clinton tem a ver com algo mais profundo nos EUA. A sua resiliência prende-se com o apoio que o seu partido lhe presta e que numa situação de equivalência preferirá a candidata que andou a preparar nos últimos 8 anos, ao novato com o novo discurso. Para além disso nas sondagens Barack contra McCain e Clinton contra McCain parece estar tudo muito equilibrado com ligeira vantagem para Barack. Contudo estas sondagens estão muito equilibradas. Caso no futuro próximo esta sondagem se desequilibre para um dos lados então o partido democrata terá que rapidamente impor um vencedor, caso contrário arrisca-se a depenar os cofres dos patrocinadores para a verdadeira campanha contra o partido republicano. Isto para além de andar a abrir feridas internas… e ninguém pense que os Republicanos vão ficar parados à espera que os Democratas se recomponham…