Uma pequena história

Vamos imaginar que você é um fabricante de carros. Uma grande empresa, sem dúvida. Cheio de sucessos no passado, mas que já não tem um carro verdadeiramente inovador há alguns anos. Entretanto o seu último carro, apesar de não ser muito seguro, foi evoluindo e muitos sucateiros fizeram fortuna. As oficinas de reparações adoraram o seu último carro. Você percebe que tem que fazer qualquer coisa importante e mete a equipa de desenvolvimento a trabalhar para reinventar o carro dos carros. O seu novo produto vai ser fascinante. Vai varrer da face da terra todos os outros concorrentes. Só vão haver carros da sua marca. O trabalho decorre como devia, e quando finalmente chega o dia do lançamento faz uma grande conferência de imprensa para apresentar o novo bólide: O carro dos carros, impossível de ter acidentes com ele, impossível de se enganar. Vai ser fantástico.

As especificações do carro? 8 metros de comprimento, 4 toneladas, um motor V12 de 6 litros e um consumo de 35 litros aos cem. Velocidade máxima: 210km/h (um pouco mais rápido que um citadino, mas muito dificilmente chamaríamos a isto um citadino). Sim, as linhas são agradáveis e modernas, mas afinal um pouco semelhantes a alguns carros da concorrência. O preço?… uma exorbitância.

Passados alguns meses depois do lançamento você descobre que as vendas estão muito abaixo das expectativas, é entrevistado por uma revista automóvel e tem que arranjar uma justificação e sai-se com:

“A culpa? A culpa é da chuva… Se houvesse mais chuva havia mais acidentes e podiamos vender mais carros!”

Esta história faz-lhe lembrar alguma coisa? Não? A mim faz.

Se mantivermos a história e se a companhia se chamar Microsoft, então o Vista é o sapo que não vende e a culpa é dos piratas, porque de resto tudo se mantém na mesma. Mas aí se calhar a história já não tem tanta piada como quando se fala de carros.

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Mas eles andavam cegos até agora?

Diz o público:

Relatório publicado pela Comissão Europeia
Programas informáticos de código aberto são positivos para competitividade na Europa
17.01.2007 – 20h22 Lusa

A utilização de programas informáticos “open source” (código aberto) pelas empresas pode ajudar a poupanças consideráveis, resultando num impacto positivo na competitividade na Europa, indica um relatório publicado pela Comissão Europeia.

Mas foi preciso haver um relatório para se perceber isto? Ou será que só agora porque há um relatório é que a coisa é oficial?

Gosto ainda de outra consideração que está no relatório que diz que o fomento do open source devia ser incentivado, assim como a sua introdução no ensino. (Estámos em 2007, só agora é que se lembraram disto? Quanto temos que competir com a Índia por exemplo? Ou o Brasil?)

Mas costuma-se dizer: Mais vale tarde que nunca… e já agora quem é que será que vai baixar os preços do Windows Vista nos próximos tempos para a Europa? Hm?

o Iraque, mais uma vez

Depois de ter dado a Saddam Hussein a vitória que ele tanto desejava, matando-o (que talvez na história fique escrito como assassinado) daquela forma ingóbil para uma civilização do século XIX, Bush prepou a nova estratégia para o Iraque, que em vez de passar pela saída, passa pelo aumento de tropas. Depois já se dizer que o Iraque se está a transformar num novo Vietnam, o New York Times fez uma peça sobre os preparativos das forças conjuntas para o combate ao dito terrorismo.

Queixam-se os americanos da falta de colaboração das próprias forças políticas que colocaram no poder e o que me adimira é que os americanos se questionem a propósito disso. Afinal os americanos invadiram um país. Naturalmente todos os iraquianos se perguntam “Quando é que estes tipos se vão embora?“. Será que não entendem que mesmo entre aqueles que os apoiam, a dada altura eles não querem ter a força ocupante lá e quanto mais tempo passar mais se vão opor à sua presença? Será que isto não é óbvio?