Breve: Igreja católica continua a pensar com os pés…

Não sendo religioso, não posso deixar achar a tentativa de chantagem da Igreja Católica sobre a Anglicana sobre a questão de ordenar bispos do sexo feminino, como mais uma prova da falta de visão de futuro que a Igreja Católica tem, nomeadamente do seu papel na sociedade do 3 milénio, estando ainda presa a um pensamento arcaico, sexista e discriminador.

Um país de complexidades?

Ainda a propósito da polémica retirada de um produto para emagrecimento natural do mercado, não me pude deixar de admirar quando vi na televisão que a empresa que o comercializa ia ter uma reunião com o ministério da agricultura…

Ora eu não devo perceber nada disto, mas a retirada foi ordenada por motivos de saúde pública pela Direcção Geral de Saúde. Não devia a empresa reunir com a DGS para prestar os esclarecimentos necessários? Agora o da agricultura? Honestamente são estas nuances que fazem deste país uma anedota.

Qualquer dia um tipo para pagar os impostos tem que pedir autorização ao ministro dos negócios estrangeiros. (Se bem que para pagar nunca seja preciso pedir autorização)

Por outro lado parece-me que a não regulamentação deste tipo de produtos interessa sobremaneira ao próprio estado. Havendo uma regulamentação teria que se arranjar forma de garantir uma forma de fiscalização. Ora isto é mais dinheiro que teria que sair do Ministério da Saúde, que já por si é o sorvedouro de dinheiro que conhecemos. Não regulamentando, só se tem que intervir ou fiscalizar quando alguma das portuguesas que está em dieta permanente sofre de alguma maleita que atraia a imprensa.

Desta forma poupa o estado uns cobres e quando houver problemas passa-se a batata quente para o desgraçado da agricultura que é quem tem menos trabalho. Já que não há agricultura em Portugal, sempre justifica o ordenado que recebe ao fim do mês.

Friends Friends Friends…

Foto de kalandrakas

Eles estão em todo o lado, no Twitter, no Facebook, no Hi5…
Todos os serviços tem na página de cada utilizador um botão com as palavras “Add as Friend” ou “Friend Me” ou algo semelhante.

Esta contabilização de “amigos” virtuais é algo muito estranho porque é uma apropriação por parte dos sites sociais de um conceito que efectivamente não é aquele que eles pretendem vender e que as pessoas associam normalmente a um tipo de interacção e relacionamento diferente. E a verdade é que até um tribunal foi obrigado a esclarecer este ponto num caso de stalking.

O caso foi o de uma mulher que acusou o ex-namorado de perseguição, depois deste ter enviado um pedido de “Friend Me” no Facebook. O juiz concordou com a posição do namorado dizendo que este “Friend Me” não pode ser encarado no sentido tradicional do que é uma amizade.

Não quer isto dizer que na lista de “Friends” não haja também alguns amigos verdadeiros, mas a verdade é que maioritariamente são amizades inconsequentes. Permitem ter um panorama do mundo, eventualmente partilhar e conhecer experiências com novas pessoas e até iniciar projectos com algumas delas, mas daí a dizer que amizade está à distância de um clique…

É certo que o objectivo final do Facebook ou de qualquer outra rede social é o de fazer dinheiro através de um modelo de negócio que alguns estão ainda a tentar descobrir, e a apropriação do conceito “Amigo” é natural porque tentam a aproximação àquilo que as pessoas querem. Se em vez de “Amigos” lhes chamassem apenas “Contactos” ou “Utilizadores”, deixando a tarefa de construir amizades para os próprios certamente não haveria estes equívocos mas também seriam serviços muito menos populares, acho eu.

Os sites de comunidades e serviços sociais estão aí, não há como lhes fugir. Há é ter um pouco de atitude crítica e perceber onde é que acaba o “Friend” e começa o Amigo.

De eléctrico em Lisboa

De eléctrico em LisboaSegundo o Sol, o Fórum Cidadania Lisboa (FCL) defende a reintrodução dos eléctricos em Lisboa. Defendem que os amarelos (embora também hajam noutras cores) são amigos do ambiente e que as linhas são menos dispendiosas.

Pediram também que a linha 24 fosse reaberta entre o Carmo e Campolide.

Penso que as linhas de eléctrico a manter terão que ser feitas com carruagens modernas para serem utilizáveis como meio de transporte regular. É uma questão de querermos ser desenvolvidos ou apenas uns patetas parolos.

No caso das linhas de Turismo, aí sim, os eléctricos podem e até tem a sua piada serem antigos. Mas neste caso não acho que as linhas possam pretender ser uma alternativa viável para o utilizador de automóvel, como a associação pretende fazer passar. Aliás, penso que as linhas de turismo, sendo tão específicas não deviam sequer cobrar bilhete. As pessoas deveriam poder entrar e sair como e quando lhes apetecesse.

As linhas de turismo teriam que ser encaradas como um investimento da autarquia na promoção da cidade evitando ao turista toda a chatice de perceber como funcionam os bilhetes, comprar bilhetes numa língua estrangeira, ou perceber os trocos do Euro. Os eléctricos antigos, e já agora os elevadores, seriam eventualmente “pagos” por publicidade dirigida ao turista, por exemplo casinos ou hotéis.

Penso que seria a forma mais interessante de dinamizar os eléctricos e claro que se as pessoas da cidade os utilizassem, tanto melhor.

Agora considerar que os eléctricos antigos podem ser uma alternativa moderna para o transporte urbano diário, mostra que esta ideia não veio de quem os utiliza regularmente. Os eléctricos antigos são giros, mas ficam a desejar muito ao conforto e quem se sentou naquelas tábuas duras num dia de inverno sabe-o muito bem. O sacrifício feito por um turista numa viagem eventual, em que procura o “típico”, não é o mesmo que o utente que o utiliza diariamente.

Em todo o caso seria giro ver o 24 de novo a circular.